16 de set de 2010

Nosso Lar

Nosso Lar - Li o livro tem mais de 10 anos, mas foi uma experiência tão marcante que ainda lembrava claramente de diversos capítulos. O filme é baseado no livro psicografado por Chico Xavier, ditado por André Luiz (que muitos afirmam ser o médico Carlos Chagas). André o é personagem principal do filme que após desencarnar vai parar no umbral (uma espécie de purgatório). Lá, entre gritos e zombarias, ele reflete sobre sua vida terrena. Uma voz sombria o acusa de suicida, em função de seus hábitos (alimentares, sexuais e etílicos) na terra. Ou seja, na melhor das hipóteses, vamos todos parar no umbral.
Depois desse período aterrorizante, André aceita ir para uma colônia espiritual chamada Nosso Lar (que dizem, fica sobre o Rio de Janeiro). Lá ele passa por um processo de adaptação e aprendizagem. O filme mostra como funciona a vida (?) nessa colônia.  Fica claro que manteremos no além nossas características terrenas: curiosidade, apego material e pessoal, teimosia, gula... Ou seja, ninguém vira santo quando morre.
No início achei futurista demais (portas com identificação biométricas, flores perfeitas, ônibus voadores, laptop para comunicação com os vivos...), parecendo coisa de Spielberg, mas depois entrei no clima. Eles justificam que tudo que criamos aqui são réplicas do que vimos quando estávamos lá (bom, aí faz sentido). O didatismo do livro foi mantido no filme (provavelmente para alcançar os não-espíritas e o mercado internacional) e a toda hora alguém explica o que está sendo mostrado na tela. As falas dos personagens são muito secas, pouco emotivas, parecendo declamação de texto acadêmico. O tom de sermão também não vai agradar a todos, principalmente os que não acreditam nessa história.  Há também cenas que foram feitas exclusivamente para emocionar, como o reencontro com a mãe. Bom, assim como os filmes do Padre Marcelo, este também tenta nos doutrinar. E da mesma forma, vai agradar simpatizantes e será odiado pelos não crentes.

Classificação:
Lágrimas: 05
Bocejos: 01
Gargalhadas: 00
Cena marcante: a menina tocando o piano.
Saí: desidratado.
Bom para: quem gosta de temas além da morte.
Se não viu: deixa de ser preguiçoso e leia o livro.